CHRISTINE NAGEL
ÍCONE OLFATIVO DA HERMÈS PARFUMS
Hermès Parfums, uma linguagem muito sensual!

por: MÁRIO DE CASTRO

CHRISTINE NAGEL
                                    @Sofiaetmauro

Sou curiosa e sensível e todos os dias me trazem novas imagens, sensações, encontros, momentos que ficam gravados na minha mente. Guardo-os na memória até ser capaz de os traduzir num perfume.

Twilly

ON AIR - Produto disponível na página 58.
Product available on page 58.

Sendo a primeira perfumista da Hermès desde 2014, como combina todos os tipos de peles com a sua abordagem criativa?
Todas as portas desta impressionante casa se abriram para mim e fui recebida com muita generosidade e transparência. Mergulhei no universo único da Hermès e conheci os diferentes 14 artesãos. Dirigi-me de imediato ao departamento de peles e explorei o cofre, o local secreto onde bate o coração da Hermès. Consegui também recuperar os aromas da tradição e da modernidade através das cores das peles da Hermès, a beleza das matérias-primas, que são uma das minhas prioridades.

Como é que cria um perfume? Começa por uma recordação, uma memória ou utiliza todos os seus sentidos?
É um pouco de tudo. Tem tudo a ver com memórias, passadas ou presentes, emoções, estética, sensualidade e sentidos. Muitas vezes, as pessoas dizem que, nas minhas fragâncias, existe um aspeto físico. Gosto de citar Rodin: “Para fazer as minhas representações maiores do que a natureza, exagero deliberadamente as suas características para as tornar mais reais.” Inspiro-me muito nesta abordagem e tendo a acentuar o aroma e dar mais corpo ao meu perfume. É como a obra de um pintor. Quase considero o órgão do meu perfume como uma paleta. O meu laboratório parece mais um atelier de pintura, repleto de esboços e rascunhos, com fragrâncias em constante evolução. Um pintor domina as cores numa tela e eu faço o mesmo com as fragrâncias nos meus perfumes.

Fale-nos mais sobre a criação da sua última fragrância, Twilly.
Twilly foi inspirada nas jovens contemporâneas com códigos pouco convencionais, por vezes até desrespeitosos. Gostam de jogos. Depois de as estudar e observar, consegui criar um elo entre elas e o espírito livre da Hermès. Para comprová-lo basta olhar para a forma como usam o nosso lenço de seda. Tem tudo a ver com liberdade de espírito. Para transmitir esse estilo, escolhi deliberadamente três produtos pelas suas qualidades: o gengibre, uma especiaria branca; a tuberosa, uma flor magnífica, e o sândalo, uma madeira elegante. Cada uma tem a sua própria personalidade e não alteram as restantes, tal como estas jovens mulheres que são diferentes e ainda assim partilham tudo.

Como é que chegou à Hermès?
Sou cidadã suíça, com mãe italiana, e fui criada longe de Grase e do mundo dos perfumes. O meu encontro com a perfumaria deu-se quando estudava Química Orgânica e a minha primeira experiência profissional foi na Firmenich. O encontro com Alberto Morillas, que podia ver da janela do meu gabinete, foi a chave da minha carreira. Ele costumava ter duas jovens raparigas que testavam os seus perfumes e isso de imediato provocava sorrisos e emoções. Essa experiência foi suficiente para me fazer perceber que era uma chamada. Estava prestes a abraçar a importância do mundo dos perfumes na minha vida e a minha obsessão era tornar-me perfumista, aprender, experimentar e melhorar. Desde então, tenho conhecido pessoas interessantes e tido experiências esclarecedores. Não tenho medo de correr riscos e a vida continua a sorrir-me.

O que tem a Hermés de tão único?
Existe uma assinatura Hermès para fragrâncias, claro, mas existe também uma assinatura mais comum para todos os artigos da casa. O produto Hermès é reconhecido pelo seu estilo, sabedoria e qualidade. Um artigo Hermés é acima de tudo útil, confortável e elegante. Não seguimos políticas de marketing ou de moda. Em vez disso, confiamos no espírito livre e criativo dos nossos artesãos e artistas. São eles quem define o estilo Hermès e trata-se de um processo colaborativo, o que nos torna tão únicos e originais no mundo. Tudo isto é Hermès.

Como é que certas fragrâncias a fazem viajar no tempo? Como é que cria uma fragrância?
A criação de uma fragrância é o resultado de uma memória e um processo de arquivo. Sou curiosa e sensível e todos os dias me trazem novas imagens, sensações, encontros, momentos que ficam gravados na minha mente. Guardo-os na memória até ser capaz de os traduzir num perfume. Uma fragrância transmite-me sempre inúmeras coisas. A mesma fragrância pode provocar repulsa numa pessoa e ser terrivelmente atrativa para outra. O essencial é que uma pessoa goste de se identificar com a fragrância, aumentando o seu prazer.

Para quem compõe perfumes, quais são as suas composições musicais preferidas?
Como todas as pessoas, tenho gostos muito ecléticos, desde Bob Marley a Nina Simone ou Bach…

Quais os locais e destinos que ainda a fazem sonhar?
Para uma mulher suíça, nascida nos Alpes, fico fascinada pelo mar, os oceanos e ilhas. Nada me entusiasma mais do que viajar de barco, de porto em porto. Por falar nisso, acabo de regressar de Tobago Cays.

Twilly foi inspirada nas jovens contemporâneas com códigos pouco convencionais, por vezes até desrespeitosos. Gostam de jogos. Depois de as estudar e observar, consegui criar um elo entre elas e o espírito livre da Hermès. Para comprová-lo basta olhar para a forma como usam o nosso lenço de seda. Tem tudo a ver com liberdade de espírito.

Twilly was inspired by the young contemporary girls whose codes are unconventional, and sometimes disrespecftul. They enjoy to play games. After studying and observing them, I was able to create a link between them and the free spirit of Hermès. As evidence, just look at the way they wear our silk carré. It’s all about free spirit.

TwillyON AIR - Produto disponível na página 58. Product available on page 58.

CHRISTINE NAGEL
OLFACTORY ICON FROM HERMÈS PARFUMS

Hermès Parfums, a very sensual language!

by: MÁRIO DE CASTRO

As Hermès first female perfumer since 2014, how did you combine all types of skins with your creative approach?
All of the doors of this amazing house were wide opened to me, and I was greeted with much generosity and transparency. I immersed myself in the unique universe of Hermès and discovered all the 14 different craftsmen. I immediately turned to the leather department and explored the leather vault, the secret place where the heart of Hermès beats. I was able to retrieve the scents of tradition and modernity through the skin colors of Hermès, and the beauty of the raw materials, one of my priorities.

How do you create a perfume? Do you start with a souvenir, an emotion, or do you use all your senses ?
It is everything. It’s all about memory, past or present, emotions, esthetics, sensuality, and senses. Often people say about my fragrances that there is a physical aspect to them. I like to quote Rodin, “in order to make my representations larger than nature, I deliberately emphasize their features in order to make them more real.” I am very inspired by this approach and tend to accentuate the scent, and bring more body to my perfume. It is like a painter’s work. I almost consider my perfume organ as a palette. My laboratory looks more like a painter’s studio full of drafts and sketches, with fragrances subject to constant evolution. A painter tames the colors on a canvas, and I do the same for the scents in my perfumes.

Tell us more about the creation of your latest fragrance Twilly?
Twilly was inspired by the young contemporary girls whose codes are unconventional, and sometimes disrespecftul. They enjoy to play games. After studying and observing them, I was able to create a link between them and the free spirit of Hermès. As evidence, just look at the way they wear our silk carré. It’s all about free spirit. To convey that style, I deliberately choose three products : ginger, a white spice; tuberose, a bewildering flower; and sandalwood, an elegant wood for their qualities. Each has its own personality and doesn’t alterate the other, just like those young girls who are different and yet share everything.

How did you end up at Hermès?
I am a Swiss citizen, born from an Italian mother, and raised far away from Grasse and the world of perfumes. My encounter with perfume happened while I studied Organic Chemicals and my first professional experience was at Firmenich. The encounter with Alberto Morillas, whom I could see from my office windows, was key to my career. He would have two young girls test his perfumes which triggered immediate smiles and emotions. That experience was enough to make me realize that there was a call for me. I was about to embrace the importance of the perfume world in my life and my obsession was to become a perfumer, to learn, experiment and improve myself. Ever since I have kept meeting interesting people and having enlightening experiences. I am not afraid of taking risks, and life keeps smiling to me.

What is so unique about Hermès?
There is an Hermès signature for fragrances of course, but also a common signature to all the house’s crafts. The Hermès produce is recognizable by its style, the know-how and quality. An Hermès item is besides all useful, comfortable and elegant. We don’t follow any marketing nor policy trends. Instead, we rely in the creation and free spirit of our craftsmen and artists. They are the ones who assert the Hermès style and it is a joint collaboration, which makes us so unique and original in the world. This is all about Hermès.

How can certain fragrances make you travel in time? How do you create a fragrance?
The creation of a fragrance is the result of a memory, and archiving process. I am both curious and sensitive, and every day brings me new images, impressions, meetings, moments that remain engraved in my mind. I keep them in my memory until I am able to translate them through a perfume. A fragrance always conveys a multitude of things for me. The same fragrance can be repulsive for one person and terribly attractive for another. What is essential is that one likes to identify with the fragrance, thus enhancing her pleasure.

For someone who composes perfumes, what are your favorite musical scores?
Like everybody, I have very eclectic tastes from Bob Marley to Nina Simone or Bach…

Which places or destinations still make you dream?
For a Swiss woman born in the Alps, I am fascinated by the sea, the oceans and the islands. Nothing excites me more than sailing from harbor to harbor. By the way, I just got back from Tobago Cays.